Eu já estive pensando muito a respeito do que nos leva a viver nossas vidas. Tenho certeza que essa coisa da valorização do trabalho é uma imposição cultural, eu, por exemplo, me sinto mal quando estou "à toa", apesar de desejar poder viver sem trabalhar. É muito contraditório isso.
Sobre essa coisa do trabalho tenho uma melhor.
Há muito tempo atrás, trabalhei como bolsista em um projeto de avaliação de cursos universitários. Um dos pontos do estudo era a evasão escolar e uma coisa ficou na minha cabeça: a grande maioria dos que abandonam os cursos de graduação é de homens.
Serão os representantes do sexo masculino mais preguiçosos, ou relaxados, ou displicentes? Minha profunda análise (olha o poço artesiano de novo) demonstrou que existe uma relação intrínseca com a valorização social do trabalho, e demonstrarei-a a seguir:
- homens são socialmente determinados a serem arrimo de família (se você não sabe o que é arrimo visite pai google )
- uma mulher, de uns 23 anos, que vive na casa dos pais e tem como principal atividade a frequência num curso universitário é socialmente aceitável
- um sujeito que viva com os pais e tenha 23 anos, se não estiver exercendo atividade remunerada é tido como um vagabundo
Sei que não é impossível levar a cabo a conclusão de um curso de graduação enquanto se exerce atividade remunerada, existe uma penca de exemplos demonstrando isso, mas sei também que nas entrevistas com aqueles que abandonaram o curso a impossibilidade de conciliar trabalho e estudos foi citada como fator determinante para a evasão.
Isso envolve, é claro, fatores específicos das universidades públicas (onde ocorria o estudo) como horários inflexíveis, grades curriculares coincidentes que privilegiam o interesse dos professores e funcionários e não dos alunos, mas isso é assunto para uma outra hora. As diferenças de tratamento entre homens e mulheres também merecem um post só pra elas.
Minha intenção, agora, é apenas discutir como valorizamos o trabalho, muitas vezes o supervalorizamos, ao meu ver.
Afinal, tem coisa muito mais interessante pra fazer na vida.
Um comentário:
Não concordo! o rapaz com 23 anos ou mais pode viver sem problema com os pais,se estiver estudando não é preciso trabalhar!
Alguns sentem necessidade de trabalhar por assumir compromisso muito cedo.
O que também é uma virtude ter responsabilidade.
Postar um comentário